agosto 18, 2008

Ser mãe hoje...

Esses dias estava lendo algum jornal e vi um artigo escrito por Rosely Sayão , achei interessante , embora não tenha essa experiência para opinar ... então vou colocar aqui:
Por que tantas mulheres desejaram ser ou desejam ser mãe?
Afinal, essa tarefa é hoje bem mais do que complexa.
Seu exercício exige um tanto de delicadeza que chega a provocar irritação e embaraço.
E de difícil desenredo porque no exercício dela a mulher erra sempre, o que torna a tarefa um lance arriscado que faz suar.
"Ser mãe é um osso duro de roer", disse-me certa vez uma jovem mulher, atrapalhada com seus dois filhos que não se cansavam de lhe causar cansaço.
A mulher que tem filhos, atualmente tem de estar disposta a praticar um ato de quase heroísmo.
É que não mais se trata de criar os filhos, educá-los e deixá-los viver. Há muitos percalços a enfrentar e superar.
Primeiro, é preciso assumir a vida pessoal com todo o rigor que a vida profissional impõe.
Parece óbvio isso, mas é que a mulher passou tanto tempo como coadjuvante nos mundos social, econômico e do trabalho que, agora que alcançou condições de ser também personagem principal, deixa-se engolir por esses papéis facilmente.
Ela faz de tudo para dar conta de afazeres profissionais: viaja, faz horas extras, leva trabalho para casa, participa de reuniões que avaçam na madrugada, atende a chamados profissionais no celular a qualquer hora etc.
Tanta dedicação, cuja finalidade não é só a de sobreviver no mundo profissional tão competitivo mas também a de fazer carreira, suga a energia da mulher, que fica exausta ao fazer a passagem para sua vida pessoal.
Além disso, como a linha divisória entre privacidade e vida pública tornou-se tênue, fica cada vez mais difícil resguardar a vida pessoal, ter prazer ao dedicar-se a ela.
Os filhos, que são parte importante da vida pessoal, são mais facilmente confundidos com o trabalho que eles dão do que com condição de resgate da energia, conforto.
O antes chamado lar cada vez mais é só a casa para a mulher.
Talvez ela tenha se ressentido de ser a "rainha do lar" por tanto tempo, por isso prefira casa.
Acontece que, na casa, as pessoas moram juntas, mas é no lar que elas consolidam seus vínculos afetivos, protegem-se mutuamente e constroem um grupo de pertencimento.
Quando a mulher consegue harmonizar vida pessoal e profissional ainda precisa , ao se tornar mãe, rebelar-se contra ideais contemporâneos importantes.
Deve , por exemplo, lutar contra a idéia de se manter jovem permanentemente. É que ser jovem não combina com ser mãe, porque cuidar de um outro exige maturidade.
A mulher jovem não renuncia a um passeio, por exemplo - já a mãe , sim.
Ela deve, igualmente, resistir com bravura a pensar de modo individualista, a priorizar seus impulsos.
Mesmo assim, muitas mulheres desejam ser mãe.
Por quê?
Talvez porque esse seja um modo de driblar a finitude da vida e os limites do tempo cronológico.
Ao ter filhos, a mulher garante sua intervenção no futuro, colabora com sua construção e ainda garante vínculos afetivos duradouros, coisa rara hoje em dia.
Por isso, as mulheres que escolheram ter ou adotar filhos sabem que vale a pensa ser mãe, no sentido mais exato da expressão.
Rosely Sayão - psicóloga (quinta-feira,8 de maio de 2008 - Folha de São Paulo)

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